O Paraná alcançou a terceira maior disponibilidade de caixa entre os estados brasileiros, com saldo líquido superior a R$ 27,6 bilhões em agosto de 2026. O resultado foi apresentado pela Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) durante audiência pública na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), na prestação de contas referente ao segundo quadrimestre do ano.
- Paraná tem recursos suficientes para cobrir toda a dívida estadual
- Investimentos ultrapassam R$ 7,6 bilhões e superam todo o ano de 2025
- Paraná ocupa segunda posição nacional em investimentos liquidados
- Educação recebe R$ 13,2 bilhões e supera mínimo constitucional
- Saúde recebe R$ 5,2 bilhões nos primeiros oito meses do ano
No ranking nacional, o Paraná aparece atrás apenas de São Paulo, que registrou R$ 69,5 bilhões, e Minas Gerais, com R$ 39,5 bilhões disponíveis.

O indicador representa o dinheiro que permanece nas contas estaduais depois do desconto de compromissos financeiros já assumidos, incluindo despesas contratadas e obrigações de exercícios anteriores.
Com esse saldo, o governo estadual dispõe de recursos para atender despesas administrativas, manter serviços públicos e financiar novos investimentos.
Paraná tem recursos suficientes para cobrir toda a dívida estadual
Um dos principais indicadores apresentados pela Fazenda foi a relação entre o dinheiro disponível e o endividamento público.
Segundo a Sefa, as reservas financeiras do Paraná superam o montante de suas dívidas consolidadas, fazendo com que a Dívida Consolidada Líquida (DCL) seja negativa, equivalente a -0,02% da Receita Corrente Líquida.
Isso significa que, no cálculo do indicador, as disponibilidades financeiras e demais deduções superam a dívida consolidada do Estado.
O secretário da Fazenda em exercício, Luiz Paulo Budal, relacionou o desempenho à manutenção do equilíbrio fiscal e à capacidade de o governo cumprir seus compromissos.
A condição financeira também contribui para a classificação de capacidade de pagamento do Paraná, conhecida como Capag A+, atribuída pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN).
Essa avaliação é utilizada para medir a situação fiscal dos governos e pode facilitar o acesso a operações de crédito em condições mais favoráveis.
Investimentos ultrapassam R$ 7,6 bilhões e superam todo o ano de 2025
Além do saldo em caixa, o Paraná registrou um novo patamar de investimentos públicos nos primeiros oito meses de 2026.
Entre janeiro e agosto, o governo estadual empenhou mais de R$ 7,6 bilhões para investimentos, superando os R$ 7,2 bilhões contabilizados durante os 12 meses de 2025.
O valor representa o maior volume nominal de investimentos empenhados já registrado pelo Estado, segundo os dados apresentados pela Secretaria da Fazenda.
Na comparação com 2018, quando o montante foi de aproximadamente R$ 1,9 bilhão, o crescimento nominal acumulado chegou a cerca de 300%.
Os valores empenhados correspondem a despesas para as quais o governo reservou recursos no orçamento, mas que não necessariamente foram executadas ou pagas integralmente.
Paraná ocupa segunda posição nacional em investimentos liquidados
Outro indicador destacado na audiência foi o crescimento dos investimentos liquidados, etapa em que o poder público reconhece que os bens ou serviços contratados foram efetivamente fornecidos ou executados.
De janeiro a agosto de 2026, o Paraná contabilizou R$ 5,56 bilhões nessa categoria, contra R$ 2,3 bilhões no mesmo intervalo de 2025.
O avanço foi de 142%, estabelecendo um novo recorde nominal estadual, conforme os números divulgados pela Sefa.
De acordo com o Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO), da Secretaria do Tesouro Nacional, o Paraná alcançou a segunda posição entre os estados brasileiros em investimentos liquidados no período.
São Paulo liderou o levantamento, com R$ 6,36 bilhões.
Entre os setores que receberam os maiores volumes de recursos no Paraná estão Urbanismo, com R$ 1,47 bilhão, e Agricultura, com R$ 1,18 bilhão.
Educação recebe R$ 13,2 bilhões e supera mínimo constitucional
Os resultados fiscais também apontaram aplicações em Educação acima do percentual mínimo determinado pela Constituição Estadual.
Enquanto a Constituição Federal exige que os estados destinem pelo menos 25% das receitas de impostos, incluídas as transferências consideradas na base de cálculo, à manutenção e ao desenvolvimento do ensino, a legislação paranaense estabelece um piso de 30%.
Nos primeiros oito meses de 2026, o Paraná empenhou R$ 13,2 bilhões nessa área, correspondentes a 33,95% da Receita Líquida de Impostos.
O montante ficou aproximadamente R$ 1,5 bilhão acima do mínimo exigido para o período, segundo a apresentação da Fazenda.
Os recursos abrangem despesas relacionadas ao funcionamento da rede pública de ensino, remuneração de profissionais, manutenção das unidades escolares, equipamentos e infraestrutura educacional.
Saúde recebe R$ 5,2 bilhões nos primeiros oito meses do ano
Na Saúde, o Paraná também apresentou aplicação superior ao piso constitucional de 12% da base de receitas considerada para o cálculo.
Entre janeiro e agosto, foram destinados R$ 5,2 bilhões ao setor, o equivalente a 13,28% da Receita Líquida de Impostos.
O resultado coloca os gastos estaduais com saúde acima do percentual mínimo obrigatório no período analisado.
Os indicadores de disponibilidade financeira, endividamento e execução orçamentária apresentados na Assembleia Legislativa integram o acompanhamento das contas estaduais de 2026.
A evolução dos investimentos, das receitas e das despesas continuará sendo acompanhada nos relatórios fiscais referentes ao último quadrimestre do ano.