Região Metropolitana de Curitiba reúne 47,6% dos búfalos do Paraná e amplia produção de leite

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A Região Metropolitana de Curitiba (RMC) registrou um crescimento de aproximadamente 160% no número de búfalos em dez anos e passou a concentrar 47,6% de todo o rebanho do Paraná. Segundo dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os 29 municípios metropolitanos somavam 22.266 animais em 2025, de um total de 46.735 no Estado.

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A expansão é impulsionada principalmente pela produção de leite de búfala, utilizado na fabricação de queijos, iogurtes e doces. A atividade tem atraído agricultores familiares interessados na rentabilidade dos derivados e na adaptação dos animais às condições de criação.

Em 2015, a região contabilizava 8.576 búfalos. Uma década depois, o número aumentou em 13.690 cabeças, consolidando a criação como uma alternativa econômica para propriedades rurais, especialmente no Vale do Ribeira.

Cerro Azul lidera criação de búfalos na Grande Curitiba

Cerro Azul aparece na primeira posição entre os municípios metropolitanos, com 5.662 búfalos. Rio Branco do Sul ocupa o segundo lugar, com 4.769 animais, seguido por Adrianópolis, que possui 3.798.

Itaperuçu também se destaca, com 2.923 cabeças, enquanto Doutor Ulysses registra 1.348. Juntos, esses cinco municípios concentram 18.500 animais, aproximadamente 83% do rebanho metropolitano.

A concentração da atividade no Vale do Ribeira está relacionada ao fortalecimento da produção leiteira e ao interesse de agricultores pela criação de búfalos como alternativa ao gado bovino.

Leite de búfala rende mais na fabricação de queijos

Uma das principais vantagens econômicas da bubalinocultura está na composição do leite, que apresenta concentrações mais elevadas de gordura, proteínas e sólidos totais em comparação ao leite de vaca.

De acordo com a médica-veterinária Inara Corrêa de Almeida, da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Rio Branco do Sul, o leite bovino possui, em média, 3,5% de gordura, enquanto o leite de búfala pode alcançar índices entre 7% e 8%.

Essa diferença influencia diretamente a fabricação de derivados. Para produzir um quilo de muçarela, são necessários aproximadamente cinco litros de leite de búfala. Com o leite bovino, o volume pode chegar a dez litros.

O produto também apresenta maiores concentrações de cálcio, fósforo e determinadas vitaminas, características que contribuem para sua valorização comercial.

No Brasil, o crescimento do setor aparece nos números da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB). Em 2024, os laticínios receberam aproximadamente 20,4 milhões de litros de leite de búfala, volume quase 20 vezes superior ao registrado em 2001, quando a captação foi de cerca de um milhão de litros.

Produtores trocam gado bovino por búfalos em Itaperuçu

A busca por maior rendimento levou famílias do município de Itaperuçu a substituir a criação de bovinos pela de búfalos.

Na comunidade de Taquaral, o produtor Welinton Eduardo Cardoso decidiu investir na atividade com apoio de uma linha de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

A propriedade passou a trabalhar com a comercialização de leite para laticínios e com a fabricação de derivados destinados ao mercado local.

Além dos queijos, o doce de leite de búfala tornou-se uma alternativa para diversificar a renda da família. O produtor também investe no planejamento reprodutivo do rebanho, buscando facilitar o manejo e ampliar as possibilidades de comercialização dos filhotes.

Outra produtora de Itaperuçu, Izima de França de Jesus, iniciou a criação em 2013, com dez novilhas e um reprodutor. Atualmente, a propriedade mantém mais de 70 animais.

Depois de trabalhar com a fabricação de queijos, a família passou a priorizar a venda de leite, considerada mais vantajosa nas condições atuais da propriedade. A comercialização de bezerros após o desmame também complementa a receita.

Entre os fatores destacados pelos criadores estão a resistência dos animais, a facilidade de manejo e o aproveitamento do leite na produção de derivados.

Rio Branco do Sul aposta em produção leiteira e gastronomia

Em Rio Branco do Sul, a cadeia produtiva conta com um entreposto responsável por receber leite de búfala de propriedades da região.

Parte da produção segue para processamento pela empresa Levitare, localizada em São Paulo. Agricultores de menor porte também fabricam queijos e outros produtos comercializados diretamente no mercado regional.

O município realizou, em agosto, a primeira edição do Festival do Búfalo, que reuniu aproximadamente cinco mil participantes no Bosque Municipal.

O evento buscou ampliar a visibilidade da atividade, aproximar consumidores dos produtores e apresentar possibilidades gastronômicas envolvendo os derivados do leite de búfala.

Segundo a veterinária Inara Corrêa de Almeida, o crescimento sustentável da criação depende de investimentos em genética, alimentação, assistência técnica e aprimoramento das práticas de manejo.

A prefeitura também oferece orientação aos produtores sobre exigências sanitárias, incluindo exames de brucelose e tuberculose e procedimentos de vacinação.

Agricultura familiar ganha espaço na economia metropolitana

A expansão da bubalinocultura integra o movimento de diversificação da produção agropecuária dos municípios próximos à capital paranaense.

Para o secretário municipal para o Desenvolvimento da Região Metropolitana, Thiago Bonagura, produtos regionais têm potencial para conquistar novos mercados e ampliar as oportunidades de renda no campo.

A produção agrícola metropolitana já participa do abastecimento de Curitiba. Nos Armazéns da Família, 19 produtos comercializados têm origem em municípios da RMC. Nos Sacolões, praticamente todas as hortaliças vêm de produtores metropolitanos.

No caso da criação de búfalos, a ampliação do mercado de leite e derivados representa uma oportunidade adicional para pequenas propriedades rurais.

O avanço da atividade, entretanto, depende da continuidade da assistência técnica, da manutenção da sanidade dos rebanhos e de investimentos capazes de melhorar a produtividade e a comercialização.

Confira os municípios com maiores rebanhos de búfalos

De acordo com os números apresentados no levantamento do IBGE, os municípios destacados são:

MunicípioNúmero de búfalos
Cerro Azul5.662
Rio Branco do Sul4.769
Adrianópolis3.798
Castro3.467
Itaperuçu2.923
Guaraqueçaba1.352
Doutor Ulysses1.348
Campo Largo1.342
Curiúva1.334
Campina Grande do Sul1.052

Fonte: IBGE, conforme dados informados no levantamento.

Nota: a relação acima reúne municípios do Paraná e não apenas integrantes da Região Metropolitana de Curitiba. Castro, Guaraqueçaba e Curiúva não pertencem à RMC.

Com a valorização do leite de búfala e o crescimento da demanda por seus derivados, a atividade segue como uma opção de diversificação da renda rural no Paraná, especialmente nos municípios do Vale do Ribeira.

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