Abandono escolar despenca no Paraná e atinge apenas 0,3% no Ensino Médio; atraso também cai pela metade da média nacional

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O Paraná reduziu a taxa de abandono escolar no Ensino Médio para 0,3% em 2025 e registrou um índice de estudantes com atraso escolar equivalente à metade da média brasileira. Os resultados constam no Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026 e mostram uma melhora nos indicadores de permanência, aprovação e progressão dos alunos nas redes pública e privada do Estado.

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A proporção de estudantes do Ensino Médio com pelo menos dois anos de atraso em relação à série adequada para sua idade chegou a 8% no Paraná. No Brasil, esse percentual ficou em 16%.

Em uma década, o Estado também apresentou uma redução expressiva na interrupção dos estudos. A taxa de abandono, que era de 7,7% em 2015, caiu para 0,3% em 2025, uma diferença de 7,4 pontos percentuais.

Aprovação no Ensino Médio chega a 98,2% no Paraná

Os indicadores de rendimento escolar também apontam mudanças significativas entre 2015 e 2025.

A taxa de aprovação no Ensino Médio paranaense avançou de 81,4% para 98,2%, enquanto o índice de reprovação diminuiu de 10,9% para 1,5%.

No mesmo intervalo, a distorção idade-série recuou de 21,1% para 8%, representando uma redução de 13,1 pontos percentuais.

A distorção idade-série é utilizada para identificar estudantes que estão matriculados em etapas escolares incompatíveis com a idade esperada, considerando um atraso de pelo menos dois anos.

Segundo a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR), o acompanhamento da trajetória dos estudantes e a identificação de dificuldades de aprendizagem fazem parte das ações voltadas à permanência dos jovens na escola.

O diretor de Educação da secretaria, Anderfábio Oliveira, destaca que a prioridade é evitar interrupções na formação e permitir que os alunos concluam o Ensino Médio.

Matrículas na EJA crescem 329% no Paraná

Enquanto o Brasil registrou queda na quantidade de estudantes matriculados na Educação de Jovens e Adultos (EJA), o Paraná apresentou crescimento expressivo na modalidade.

Dados do Censo Escolar, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram que o número de matrículas na EJA no Estado passou de 10.963, em 2023, para 47.014, em 2025.

O aumento foi de aproximadamente 329%, com 36.051 matrículas adicionais em dois anos.

Em 2024, o Paraná já havia registrado 40.691 matrículas, indicando uma expansão da modalidade antes do crescimento observado no ano seguinte.

No cenário nacional, o movimento foi inverso. O Brasil contabilizava 2.589.815 matrículas na EJA em 2023, número que caiu para 2.252.069 em 2025.

A redução nacional foi de aproximadamente 13%, equivalente a quase 338 mil matrículas.

Os dados mostram que a expansão registrada no Paraná ocorreu em um período de retração da modalidade no conjunto do país.

Exames oferecem alternativas para concluir os estudos

Além da oferta regular da EJA, estudantes que não concluíram a educação básica na idade prevista contam com possibilidades de certificação.

Em 2025, a rede estadual do Paraná ampliou a aplicação on-line dos Exames Estaduais da EJA, permitindo que escolas regulares também disponibilizassem essa alternativa.

A iniciativa possibilita que candidatos demonstrem conhecimentos adquiridos ao longo da formação escolar e, mediante o cumprimento dos requisitos de aprovação, obtenham a certificação do Ensino Fundamental ou Médio.

Outra opção é o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), destinado à certificação de pessoas que não finalizaram essas etapas de ensino.

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) também voltou a oferecer a possibilidade de certificação de conclusão do Ensino Médio a partir da edição de 2025, mediante critérios específicos.

De acordo com a coordenadora pedagógica da EJA na Seed-PR, Miriam Teixeira de Oliveira, as alternativas permitem reconhecer conhecimentos adquiridos em diferentes trajetórias educacionais.

Cada modalidade de certificação possui regras próprias de participação, idade mínima e desempenho exigido.

Redução do atraso escolar pode influenciar procura pela EJA

A diminuição do abandono e da distorção idade-série pode afetar, a longo prazo, a demanda pela Educação de Jovens e Adultos.

Com mais estudantes avançando regularmente e concluindo a educação básica dentro da idade esperada, a necessidade de retomar estudos interrompidos tende a diminuir.

Entretanto, a evolução das matrículas também depende de fatores como acesso às escolas, oferta de vagas e características da população atendida.

No Paraná, os números mais recentes apontam duas tendências simultâneas: a redução do atraso e do abandono no Ensino Médio e o aumento da participação na EJA.

A continuidade desses resultados dependerá da evolução dos indicadores educacionais nos próximos anos e da manutenção das oportunidades de conclusão da educação básica.

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